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Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), conhecida popularmente como “bancada ruralista”. O grupo congrega mais de 200 parlamentares da Câmara e do Senado ligados ao agronegócio.

Conhecida pelos posicionamentos em defesa das práticas do ruralismo, a deputada é apelidada, nos bastidores, como “musa do veneno” – ou mesmo “menina veneno”, para alguns. E já chegou mostrando a que veio: nessa quinta (8), em sua primeira entrevista após a notícia da escolha para ministra, disse à imprensa que a pauta sobre alteração das regras para os agrotóxicos no Brasil terá “muito espaço” em sua gestão no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Ela se refere, nas entrelinhas, ao Projeto de Lei 6299/2002, apelidado de “PL do veneno”, que flexibiliza as regras para o consumo de pesticidas, beneficiando o ruralismo. A proposta já foi aprovada numa comissão especial e aguarda votação no plenário da Câmara.

O PL enfrenta grande oposição de ambientalistas, movimentos populares do campo e outras entidades da sociedade civil organizada, além de órgãos de controle. Eles apontam que a medida sedimenta o caminho para que haja maiores danos ao meio ambiente e à saúde da população.

Assim como Bolsonaro, a futura ministra defende o fim do que chama de “indústria da multa” em relação aos órgãos do meio ambiente. O posicionamento é uma oposição à fiscalização feita por instituições como Ibama e Instituto Chico Mendes da Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que atuam na proteção dos recursos naturais e costumam ser alvos da atuação política da bancada ruralista.

Indígenas e sem-terra também enfrentam problemas com o grupo político de Tereza Cristina. Isso porque a atuação da FPA compromete diretamente a luta pela reforma agrária popular e pela demarcação de terras dos povos originários.

Dentro desse mesmo contexto, Tereza Cristina também é ferrenha defensora do PL 3729/2004, que flexibiliza as normas para o licenciamento ambiental e beneficia empresários do meio rural. Atualmente, ela trabalha pela aprovação da proposta na Câmara e aponta essa como a principal pauta de interesse da bancada ruralista entre as que podem ser votadas ainda este ano.  

Pecuarista de referência no ramo rural, a deputada mantém negócios, por exemplo, com o grupo JBS, um dos maiores produtores industriais de alimento do mundo. A gigante é uma das empresas envolvidas na operação Lava Jato.

Trajetória

Originária de uma família com tradição política, Tereza Cristina é neta e bisneta de ex-governadores do Mato Grosso do Sul. Entre outras coisas, a líder da FPA já atuou como secretária estadual de Desenvolvimento Agrário no governo Andre Pucinelli (MDB) e também em outras organizações de interesse dos ruralistas.  

Deputada federal de primeiro mandato, ela chegou à Câmara em fevereiro de 2015 pelo PSB, partido que ajudou a fortalecer em municípios do interior do Mato Grosso do Sul.

O estado é um dos mais marcados pela atuação do agronegócio, sendo responsável por colocar o Centro-Oeste em primeiro lugar na lista das regiões que têm os principais parlamentares anti-indígenas do Brasil. São sete representantes no estado e 14 na região, segundo dados do Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

Em sua trajetória parlamentar, Tereza Cristina se desligou do PSB em 2017. A saída se deu após conflitos com a direção nacional do partido, que havia orientado a bancada a votar contra a reforma trabalhista de Michel Temer (MDB). A ruralista votou a favor da pauta e por isso foi alvo de um procedimento interno.

Ela também votou a favor de Michel Temer (MDB) nas duas denúncias criminais que pesavam contra ele e tinham relação com delações feitas por empresários da JBS.  

Após o desligamento do PSB, a deputada passou a compor os quadros do DEM, dando início a um ciclo político com tendência mais conservadora.

Edição: Pedro Ribeiro Nogueira

fonte: 

Brasil de Fato | Brasília (DF)

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