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greve nacional da categoria na quarta-feira (1º/07). Os serviços foram paralisados às 9h00, e foram organizados atos públicos, marchas e manifestações pelas ruas das principais capitais do País.

As reivindicações são pelo mínimo de condições para o trabalho. Mesmo em meio à pandemia causada pelo novo coronavírus, esses trabalhadores se arriscam diariamente sem itens básicos de saúde, como álcool gel, máscaras faciais e outros. O movimento também é por melhor remuneração pelas entregas (atualmente em torno de R$ 2 por quilômetro), Auxílio-alimentação e outros direitos básicos.

O apoio dos internautas aos entregadores foi massivo. Nas redes sociais, a #BrequeDosApps figurou nos trending toppics do Twitter durante todo o dia. Imagens de grandes atos foram postados nas demais redes, como Instagram e Facebook.

Novo paradigma

Para a pesquisadora do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) Adriana Coelho, o levante dos trabalhadores informais é uma marca histórica na luta trabalhista. “Em um mundo duramente atingido pelo desemprego, os entregadores poderiam parecer ser os únicos trabalhadores que teriam conseguido driblar a crise agravada pela pandemia. Não são”, disse.

Ela explica que a pandemia acirrou a concorrência. De fato, os entregadores se queixam da redução na remuneração nos últimos meses. “Apesar do grande número de entregadores circulando nas ruas; apesar de sabermos que esse ramo foi um dos únicos que cresceu vigorosamente durante a pandemia; a realidade desses que estão carregando a sociedade pandêmica nas costas é bem pior do que imaginamos”.

Sem vínculos com as empresas para quem prestam serviço (Ifood, Rappi, Uber Eats, etc), as condições destes trabalhadores é de extrema precariedade. Durante suas jornadas, que chegam a 12 horas por dia, 30 dias por mês, não têm nem mesmo banheiro. Vale-refeição, assistência médica – considerando que a atividade representa constante risco de acidentes – também não têm. A renda mensal média dos entregadores de aplicativo é de um salário mínimo.

Essa é uma nova fronteira da precarização, que especialistas chamam de “uberização”. Sob a falácia de “empreendedorismo”, cada vez mais os entregadores estão sem as mínimas condições de trabalho.

Para a pesquisadora do CNPq, esse conjunto de motivações para o movimento desta quarta-feira amplia a importância da greve. “O caráter histórico dessa luta revela-se como surgimento de uma luz no fim do túnel. Isso porque aponta para formas de finalmente frear a crescente e destrutiva desregulamentação neoliberal do trabalho. Assim, a organização autônoma desses trabalhadores não só surpreende favoravelmente, como é vista com muito otimismo e solidariedade por todas e todos que ainda acreditam e lutam por uma sociedade mais justa e menos desigual”, completa Adriana.

Apps milionários

Paulo Lima, o Galo – considerado uma liderança da categoria em São Paulo que vem ganhando importância – vem denunciando fortemente os problemas dos entregadores de aplicativos. “Estamos mostrando que se nos unirmos podemos trazer o poder para as mãos da gente. Através do sofrimento comum, estamos unidos contra os aplicativos. Os aplicativos são nossos e não dos caras. O futuro é de uma Classe Trabalhadora unida e forte”, disse aos Jornalistas Livres.

Apoios à mobilização

Para o deputado federal Marcelo Freixo (Psol-RJ), o tema é essencial e toca a todos os trabalhadores. “Você acha justo que um pai de família rode mais de 10 horas por dia numa bicicleta, se arriscando nas ruas sem proteção em caso de acidente, muitas vezes sem ter o que comer, para ganhar menos de um salário mínimo enquanto as empresas lucram milhões”, questionou.

Também deputado federal, Alessandro Molon (PSB-RJ) mostrou seu apoio à greve. “É contra essa precarização do trabalho que sempre lutamos. Todos os trabalhadores devem ter direitos e, por isso, estou junto com os entregadores de app por melhores condições.”

O perfil @tretanotrampo escreveu apenas “Gigante o #BrequeDosApps e postou um vídeo em que mostra a grande manifestação dos entregadores na Avenida Paulista, no centro de São Paulo.

Por Gabriel Valery/Rede Brasil Atual

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