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Candidato à reeleição pelo Paraná, Ricardo Barros só vota contra a Classe Trabalhadora
20/06/2022

Este ano, os eleitores brasileiros vão escolher o novo presidente da República e também governadores, senadores e deputados estaduais e federais. “Todos estão com os olhos voltados para a eleição presidencial, mas a escolha dos parlamentares é fundamental para o projeto de reconstrução do País como a CUT defende, com emprego decente, direitos sociais e trabalhistas, justiça social e distribuição de renda”, alerta Marcio Kieller, presidente da CUT-PR.

“Muitos parlamentares são reeleitos durante anos, apesar de votarem sempre contra os interesses da Classe Trabalhadora e da população mais vulnerável do País. E é isso que precisamos impedir este ano”, ressalta o dirigente.

Kieller se refere a políticos como Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo Jair Bolsonaro (PL) na Câmara dos Deputados, que está no sexto mandato, sempre votando contra a Classe Trabalhadora, acumulando denúncias de corrupção no currículo e muitas polêmicas e factoides que acabam desviando a atenção do eleitor para os questionamentos que, de fato, interessam: como vota esse deputado nas questões de interesse dos trabalhadores e das trabalhadoras? A quais interesses ele representa na Câmara?

E para o eleitor paranaense saber em quem está votando e não eleger quem vota contra os interesses dos trabalhadores e do povo mais pobres do País, o PortalCUT pesquisou como votou Ricardo Barros, uma das principais lideranças do chamado “centrão, em projetos de interesse de trabalhadores e trabalhadoras.

Confira

- Em 2017, Ricardo Barros votou a favor do Projeto de Lei nº 4.330 do ilegítimo Michel Temer (MDB), que escancarou as terceirizações no Brasil, o maior ataque aos direitos dos trabalhadores desde a escravidão, segundo o desembargador do trabalho da 10ª Região, José Grijalbo Coutinho. A Lei nº 13.419, promulgada menos de um ano após o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff, legalizou a terceirização para todas as atividades das empresas e produziu impactos, como redução dos salários, enfraquecimento da Previdência Social, perda de direitos como aviso-prévio e multa de 40% do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), nos casos de demissão sem justa-causa, além de aumento do número de acidentes. 

 

 

- Antes disso, em 2016, Ricardo Barros foi um dos deputados que votaram pela deposição de Dilma que, como a CUT sempre alertou e agora está mais do que comprovado, era um golpe nos direitos dos trabalhadores e dos brasileiros que mais precisam de serviços e políticas públicas.

- No mesmo ano, ele foi escolhido para ser o relator do Orçamento da União e não fugiu à regra: foi responsável pelo corte de R$ 10 bilhões no programa Bolsa Família.

- Ricardo Barros também votou a favor da flexibilização de regras trabalhistas durante a crise causada pelo Sars-CoV-2.

- Em 2019, Barros votou a favor da reforma da Previdência elaborada por Bolsonaro, que acabou com o sonho de aposentadoria de milhões de trabalhadores, em especial os mais pobres, que começam a trabalhar mais cedo para ajudar a família.  

Herança maldita: Reforma da Previdência de Bolsonaro é mais cruel para os trabalhadores mais pobres

“Há um histórico, de longa data, que demonstra de que lado Ricardo Barros está e posso afirmar, com certeza, que não é o lado dos trabalhadores e das trabalhadoras”, ressalta o presidente da CUT-PR.

Votou contra professores

Barros também votou contra à exclusão de professores das regras mais duras para aposentadoria e a favor do projeto de homeschooling, que tira os alunos do convívio social e educacional nas escolas.

Leia mais: Aprovação do projeto do ensino em casa, chamado de homeschooling, destruirá a educação, diz educador

"A exclusão da categoria dos efeitos nefastos da reforma da Previdência e o voto favorável ao homeschooling são apenas dois exemplos de muitos em que Ricardo Barros votou contra os interesses da categoria”, afirma a presidenta do APP-Sindicato (Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná), Walkiria Mazetto.

“Não há pauta da educação pública que Ricardo Barros esteja ao nosso lado. Todas as votações são sempre voltadas para a iniciativa privada ou com o interesse de prejudicar trabalhadoras e trabalhadores da rede pública de ensino", ressalta a professora. 

Polêmica, e denúncias e mais votos perversos

Ricardo Barros também coleciona polêmicas e denúncias ao longo dos 33 anos de sua vida pública. O político profissional foi eleito pela primeira vez em 1989, quando foi escolhido prefeito de Maringá, cidade de pouco mais de 400 mil habitantes, na região Noroeste do Paraná.

Desde 2020 na liderança do governo de Jair Bolsonaro, o presidente que mais atacou os direitos sociais e trabalhistas da história do Brasil, mostrou sua verdadeira face para o País no auge da pandemia.

Enquanto a população aguardava ansiosamente por vacinas contra a Covid-19, Barros era citado na CPI por suspeita de corrupção na compra dos imunizantes superfaturados.

O deputado Luis Miranda (DEM-DF) disse que nome do parlamentar foi citado pelo próprio presidente Jair Bolsonaro como responsável por um esquema na compra da vacina indiana Covaxin. Um dossiê teria sido entregue pelo deputado ao presidente da República, que nada fez, prevaricou e não foi punido. O deputado também não recebeu punição. O caso não avançou e caiu no esquecimento, tornando-se mais uma das denúncias nunca esclarecidas envolvendo Barros.

“Ricardo Barros vai muito além do caso Covaxin. Desde muito tempo ele faz o jogo do capital, dos poderosos, dos patrões”, diz Marcio Kieller.

O presidente da CUT-PR lembra que cinco anos antes do caso Covaxin, Barros foi denunciado pelo Ministério Público do Paraná por um esquema de corrupção no processo licitatório da prefeitura de Maringá. Segundo a denúncia, ele teria orientado os gestores públicos municipais a fazerem um “acordo” entre as duas agências concorrentes para assumir a conta do executivo municipal, que na época, era comandado pelo seu irmão, Silvio Barros, também do PP.

Como ministro da saúde de Temer também se envolveu em denúncias. Sua campanha à reeleição teria sido financiada, em parte, por donos de planos de saúde.

Eles tinham o que agradecer ao político. Barros tentou criar uma nova categoria de planos de saúde, que chamou de “acessíveis”.

Na prática, a ideia seria diminuir as exigências mínimas de cobertura impostas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar, que regula o setor. 

Misógino

Como Bolsonaro, ele ataca as mulheres com falas preconceituosas. Na época da discussão sobre os planos de saúde, ao falar sobre a diferença na expectativa de vida entre homens e mulheres, o então ministro justificou o fato de que as mulheres cuidam mais da saúde porque trabalham menos. “É uma questão de hábito, de cultura. Até porque os homens trabalham mais, são os provedores da maioria das famílias. Eles não acham tempo para se dedicar à saúde preventiva”.

E para completar, o líder do governo se ausentou no voto que derrubaria o veto presidencial para a distribuição gratuita de absorventes menstruais para mulheres em situação de vulnerabilidade social.

Estas e outras ações fizeram com que fosse chamado de “Ministro da Doença” por alguns setores da sociedade.

A favor da morte e da miséria

Ricardo Barros votou a favor do Projeto de Lei dos Agrotóxicos, que flexibiliza o controle e a aprovação destes produtos no Brasil e também aprovou o PL 191/2022, que libera a mineração em terras indígenas.

Foi contra à isenção do Imposto de Renda para aposentados com sequelas da Covid-19.

E também votou contra a suspensão de despejos durante a pandemia de Covid-19.

Votou favorável à dispensa de licença ambiental para diversas atividades. 

“Precisamos eleger parlamentares que defendam a Classe Trabalhadora. A renovação da próxima legislatura é tão importante quanto elegermos um presidente que devolva comida no prato dos brasileiros e brasileiras, levando o Brasil, novamente, ao caminho do desenvolvimento e econômico e social”, finalizou Marcio Kieller. 

Por Gibran Mendes/CUT Paraná