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'Estado racista distanciou Brasil da paz'
26/07/2021

Vivemos em um estado que distanciou o Brasil da possibilidade de ser uma república da paz. Essa é a opinião da escritora e poeta Ana Cruz, coordenadora do Movimento Cultural Mulheres Negras Construindo Visibilidade. Ana Cruz avalia que a campanha Julho das Pretas reafirma as bandeiras de luta do movimento negro.

“São bandeiras como implementação de políticas de ação afirmativas; denúncias às violências e repressões praticadas pelas instituições do Estado. Também reafirma o feminismo negro interseccional e do quilombismo. Ambos tiveram suas bases teóricas e sociológicas construídas ao longo da década de 1980 por ativistas e intelectuais negras de vários lugares do País. Vale ressaltar que o Julho das Mulheres Negras também têm criado espaços importantes de reflexões sobre os rumos dos ativismos negro, e como os mesmos têm despertado a consciência individual e coletiva na perspectiva de uma construção mais hegemônica”, avalia Ana Cruz. O Julho das Pretas está em sua nona edição e visa mostrar mulheres negras como as maiores vítimas da violência, da pandemia, do racismo e do machismo no Brasil.

A escritora lembra que pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) revela que as mulheres negras representam 28% da população brasileira. “São dados também que revelam a trágica realidade de uma imensa população que há séculos está exposta às diferentes formas de violência e mecanismo de exclusão dentro e fora das políticas públicas, resultando com que o racismo e o sexismo incidam e estruturam a sociedade brasileira.

Ana Cruz ressalta que as batalhas das mulheres negras na maioria das vezes são tratadas sob indiferenças e descasos pela a sociedade racista brasileira. “Mesmo assim elas perseguem com toda convicção o objetivo de transformar o potencial desse enorme percentual estatístico negro num também contingente em que reside o poder de desestabilizar as engrenagens políticas e jurídicas que suportam os pilares do Estado racista, que há mais de 500 anos mata, aniquila e tenciona a existência de toda a comunidade negra. Este mesmo Estado também distanciou o Brasil da possibilidade de ser uma república da paz, sem os vícios antiéticos da colonização”, destaca.

História

O Julho das Pretas começou a surgir 1992, quando a ONU (Organização das Nações Unidas) realizou na República Dominicana o 1º Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e Caribenhas. No Brasil, o 25 de julho também é o Dia Nacional de Teresa de Benguela e da Mulher Negra. É uma referência à líder quilombola, que comandou a luta do quilombo de Quariterê, no século 18.

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Fonte: Contraf-CUT